30.4.05

2º Salão de M.A.I.O

Até dia 10 de maio de 2005 estão abertas as inscrições para o 2ª Salão de M.A.I.O. Promovido pelo GIA - Grupo de Interferência Ambiental, o salão é voltado para intervenções urbanas a serem realizadas na cidade de Salvador. Você pode se inscrever por email ou enviando seu projeto pelo correio. Saiba como no site: http://salaodemaio.myalbum.com.br/ Algumas informações: :: 1- Participam quaisquer indivíduos ou coletivos do globo terrestre;
:: 2- Pode-se inscrever: ações, performances, happenings, instaurações, apropriações, manifestações, objetos, meios específicos como adesivos, cartazes, reproduções, fotocópias, outdoors, panfletos e etc., ou qualquer outra maneira de intercessão no espaço urbano.
:: 3- Os trabalhos devem utilizar materiais precários e de característica efêmera, pois não valorizamos o objeto em si, mas a idéia e buscamos também facilitar a logística da organização. A não ser que o proponente venha participar pessoalmente do evento, arcando assim com as possíveis necessidades do trabalho. Para tanto a participação deve estar especificada no projeto escrito.
:: 4- Este salão não pretende reconhecer a qualidade dos trabalhos enviados, mas a equidade com o que se propõe, portanto somente selecionaremos parcialmente as propostas, aquelas não selecionadas podem ser discutidas e ficam à disposição na Internet para possíveis execuções futuras.

28.4.05

Lançamento do site "Paisana"

Tendo como tema central produções artísticas e teóricas sobre paisagem, o website www.ufmg.br/museumuseu/paisana pretende ser um catalisador e aglutinador de projetos. Já em seu lançamento, conta com a contribuição de vários artistas convidados, alunos e professores da EBA/UFMG, entre eles: Francisco Magalhães, Eugênio Paccelli, Adriana Leão, Guilherme Mansur, Maria Angelica Melendi, Marcelo Drummond, Grupo Poro, Sara Ramo, Nydia Negromonte e Jalver Bethônico. O Paisana conta com desenhos, fotografias, intervenções, instalações, resenhas e experiências digitais especialmente sonorizadas, divididos nas seções: - Projetos Espaciais apresenta investigações do espaço ou visões descritivas em diversos projetos; - Anotações são traduções em linhas e letras do confronto do corpo e da memória com a paisagem; - Percursos os sentidos investigam a paisagem demarcada e oferecem alternativas de trânsito; - Compêndios a paisagem foi organizada pela coleção e a catalogação de territórios, que discutem desde paisagens interiores à natureza contemplada. - Leituras com resultados organizados da teoria e prática e que permitem a referência de algumas pesquisas em andamento. e, - Bibliografia Comentada, produção teórica figura o conhecimento em artigos e resenhas, como um mapeamento de caminhos de pesquisa investigados pelos colaboradores. O endereço do Paisana é: www.ufmg.br/museumuseu/paisana Leia mais sobre o Paisana no endereço: www.ufmg.br/boletim/bol1482/oitava.shtml

20.4.05

Desvios no Discurso: Exposição do grupo Poro

É com muita satisfação que nós, do grupo Poro, convidamos a todos para a abertura da exposição Desvios no Discurso, que vamos realizar na Galeria da CEMIG. A abertura acontecerá dia 26/4, terça-feira, a partir das 19h30. Na ocasião será lançado o catálogo comemorativo de 3 anos de atividade do Poro. Contamos com sua presença. A versão eletrônica do catálogo está disponível para download em PDF no site: www.poro.redezero.org A exposição fica em cartaz até o dia 15 de maio de 2005. Galeria da CEMIG - Av. Barbacena, 1200, térreo. Belo Horizonte, Brasil.

19.4.05

100 Brasileiros

O livro 100 Brasileiros, que traz personalidades de destaque das áreas: Arquitetura, Artes, Ciência e Tecnologia, Cinema, Esportes, Literatura, Música, Pensadores, Personagens da História e Teatro. Está disponível em PDF no endereço: www.brasil.gov.br/100brasileiros/ O livro traz foto (quando disponível) e biografia de personalidades como: Artes Hélio Oiticica, Lygia Clark, Aleijadinho, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Iberê Camargo Literatura Machado de Assis, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Drumond, Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto Música Carlos Gomes, Villa-Lobos, Pixinguinha, Ari Barroso, Tom Jobim, Baden Powell Pensadores Milton Santos, Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Sérgio Buarque de Hollanda, Gilberto Freyre

8.4.05

Exposição de poesia visual

O amigo Amir Brito está organizando uma mostra de poesia visual na Galeria de Arte da Unicamp e convida os interessados em participar a enviarem seus trabalhos (estes ficarão no acervo da Galeria). A mostra será de 01 a 24 de junho de 2005. A data limite para recebimento é dia 27 de maio. Os trabalhos devem ser encaminhados pelo correio para: Galeria de Arte Unicamp/IA Caixa Postal 6159 CEP 13083-970 Cidade Universitária Zeferino Vaz Campinas - SP - Brasil

Guia Bioagri :: agricultura pela vida

Pessoal, ando meio sumido daqui das páginas do Vírgula-imagem, mas é por uma boa causa. Estava no empenho de finalizar o Guia Bioagri, portal de bioagricultura (orgânica, biodinâmica etc). Resultado: o portal está lançado: www.guiabioagri.com.br O post não tem a ver com os temas do vírgula, mas o trabalho está muito bonito e não resisti em compartilhar a notícias com vcs.

22.3.05

Curso: sistemas artísticos em rede

convite a todos para aparecerem a partir de 06/04, no laboratório do IP:// Rua Joaquim Silva, 71/201 - Rio de Janeiro. Aonde funcionava o AGORA-CAPACETE. O curso trata da história das interfaces e da internet, da computação nas artes, e terão uma discussão teórica sobre as tendências da "cultura" digital emergente. Também serão investigadas estratégias artísticas e sociais para net art, software social ou artemídia e discutiremos as mudanças sociais, técnicas e psicológicas, que ocorrem na sociedade a partir das transformações na tecnologia digital e eletrônica. Serão abordados trabalhos de coletivos de artistas visuais, net art, ativistas de mídia, media centers, e outras utilizações artísticas, sociais ou científicas de sistemas em rede. Mais informações: http://www.midiatatica.org/ip/index.php?id=16,27,0,0,1,0

20.3.05

Saravá! um grande viva à Poesia

esquentando os tamborins para o saravá de celebração do dia mundial da poesia

O "Saravá de Celebração do Dia Mundial da Poesia", dedicado à comemoração da palavra poética vai acontecer dia 21 de março de 2005 no Centro Cultural da UFMG, serve de "esquenta" para a Bienal Internacional de Poesia/BHZIP*. O "Saravá" será uma festa, na qual poetas, músicos, artistas visuais e VJs ocuparão o palco do Auditório do Centro Cultural UFMG para mostrar suas mais recentes criações. O destaque ficará por conta do pluralidade da lista de convidados, que aproxima poetas e artistas de gerações e tendências as mais diversas. O "saravá" inicial será às 21h. O Centro Cultural UFMG fica na avenida Santos Dumont, nº 174. Atenção: a entrada é franca, mas é bom chegar cedo, porque a capacidade do auditório é de apenas 150 lugares. *A Bienal de Poesia, acontecerá no período de 5 a 11 de setembro de 2005.

Menu de navegação

Novidades no Vírgula-imagem... criei um menu de navegação interna na página para você pular facilmente de seção para seção: Notícias Recentes, Obras on-line, Artigos, Outros Projetos, Blogs, Outras Conexões... para voltar, basta clicar em "-> Topo da página". Espero que vocês gostem e que assim fique mais prático percorrer essa enorme lista de coisas que é esta página.

18.3.05

Somos todos hackers

Hacker não é aquele cara que fica invadindo os sistemas dos bancos e roubando dinheiro. Na gíria do mundo dos computadores o verbo "to hack" significa criar uma solução genial para um problema interessante. Fora do universo dos computadores, essa expressão é usada em dois sentidos: - um mais propositivo, pelos pensadores da liberdade de conhecimento, da sociedade da informação e do movimento software livre. - e outro mais equivocado, pela grande mídia que faz questão de misturar os hackers com os crackers (estes sim, invadem e quebram proteções de sistemas e programas). Deixo aqui o link e alguns trechos da entrevista com McKenzie Wark, autor do livro Manifesto Hacker, para quem, como eu, prefere a via mais propositiva da vida: http://www.assimcomunicacao.com.br/ecompos/frm_ecompos_publicacoes.asp?id_publicacao=48 "O mais significativo sobre a tentativa de transformar informação em propriedade privada é que essa tentativa pode falhar." "Eu penso que há toda uma nova luta de classes entre os ?hackers?, que criam a nova informação, e o que eu chamo de classe vetorialista, que monopoliza os meios de atribuir o valor às mercadorias. A produção dos bens está concentrada aos países "em desenvolvimento", enquanto os escritórios centrais localizados no "mundo desenvolvido" mantêm controle sobre as patentes, marcas e grifes." "Nós precisamos criar novos tipos de relação de propriedade para que a atividade criativa possa se expandir em novas direções. Há uma enorme variedade de conflitos, onde você pode ver essas novas possibilidades acontecendo o tempo todo. O Movimento de Software Livre, e em certa medida o Código Aberto. A licença de Creative Commons aparece como uma alternativa ao direito autoral. A luta em relação aos medicamentos genéricos, particularmente nos países em desenvolvimento. Sem mencionar o movimento popular no qual as pessoas copiam e dividem músicas, filmes, textos como um tipo enorme de economia de troca. Essas são todas tentativas de "hackear" o sistema da propriedade e expandi-lo para uma era de criatividade digital."

13.3.05

Lotes Vagos - adequado para uso público temporário

Apresentação pública do projeto "Lotes Vagos - adequado para uso público temporário", dia 19 de março a partir das 10h no Anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. Rua da Bahia 1889, Belo Horizonte/MG. Participam: Ana Paula Baltazar, Breno da Silva, Cinthia Marcelle, Fabiola Tasca, Grupo MOM, Hélio Passos, Ines Linke, Laís Myrhra, Louise Ganz, Marilá Dardot, Melissa Mendes, Rodrigo Borges, Rita Velloso, Ronaldo Macedo, Sara Ramo, Silke Kapp.

Coletiva no CCSP

Coletiva do Programa de exposições 2005 O Centro Cultural São Paulo abre o Programa Anual de Exposições 2005 com uma coletiva que reúne os artistas selecionados deste ano. Artistas participantes: Alice Miceli, C.L. Salvaro, Chang Chi Chai, Cinthia Macelle, Débora Bolsoni, Edu Marin Kassedjian, Egidio Rocci, Giulianno Montijo, Helen Faganello, Isadora Bonder, Juliana Kase, Lia Chaia, Mariana Lima, Nino Cais, Paulo Nenflidio, Rodrigo Borges, Rosângela Dorazio, Sara Ramo, Silvia Amélia, Taís Ribeiro e Thiago Rocha Pitta. Comissão de seleção: Marcio Doctors, Rodrigo Moura, Leda Catunda e Stella Teixeira de Barros. Abertura: 16 de março, às 19h. Rua Vergueiro 1000 Paraíso, São Paulo SP Em cartaz de terça a sexta, das 10h às 20h e sábado e domingo das 10h às 18h - Piso Caio Graco. Mais informações: www.centrocultural.sp.gov.br

Fim-de-semana antipublicidade

Chamada pública do pessoal do Esqueleto Coletivo: "Pela liberdade do olhar, daremos um recado. Nos dias 19 e 20 deste mês vamos nos unir para pedir silêncio àqueles que gritam em nossos ouvidos: "comprem". Em todos os espaços da cidade mostraremos que cansamos de ver o que nos obrigam ver: outdoors berrantes, propagandas coloridas, cartazes agigantados, patrocínios a tudo o que queira existir. Pense na quantidade de informação publicitária que somos obrigados a ver todos os dias. Quem ganha com isso? Você escolheu ver todo esse lixo? Você gosta de ver sua cidade escondida por placas publicitárias? Podemos mudar isso? Se você também não agüenta mais ter seu olhar raptado e torturado, una-se a nós. Junte seus amigos e promova uma ação contra a propaganda abusiva. Fim-de-semana antipublicidade dias 19 e 20 de março: - promova debates e manifestações; - escreva artigos para jornais e revistas; - desligue a TV; - interfira em outdoors, placas de construtoras e imobiliárias, empenas de prédio, publicidade do metrô, pontos de ônibus e lugares públicos. - Mande e-mails a seus vereadores e prefeito com mensagens contra a publicidade em espaço público; - Boicote as empresas que usam a publicidade de maneira duvidosa e que tem em seu histórico acusação de maus tratos e trabalho escravo; - substitua a propaganda pela sua arte e roube de volta nosso espaço roubado com sua criatividade. Essa não é apenas uma simples ação antipublicidade, mas também um alerta para toda a sociedade questionar e discutir o uso abusivo de espaços publicitários, principalmente em ambientes públicos. Se nosso olhar vale muito para o mercado, vale muito mais para nossas vidas, por isso faça valer o seus direitos para que sejam retiradas imagens autoritárias que cerceiam nosso campo de visão, chega de poluição. JUNTE-SE A NÓS NO FIM-DE-SEMANA ANTIPUBLICIDADE PORQUE TODA PROPAGANDA É UM ABUSO."

1.3.05

Joan Brossa

O texto "Joan Brossa: breve panorama sobre sua vida e obra" foi republicado esse mês na seção Perfil da revista eletrônica do Circuito Cauê de Arquitetura que em sua edição de março aborda o tema "Arte e espaços públicos". Na seção de links, entre os destaques do mês está o site do Grupo Poro. Confira em: www.circulocaue.com.br

13.2.05

William Blake

No Sábado, dia 26 de fevereiro de 2005, às 17h será lançado o livro "Canções da Inocência e da Experiência" na Livraria Crisálida (Av. Augusto de Lima, 233 slj 28 Ed. Maletta Centro - Belo Horizonte - MG). A edição é bilingue e a tradução é fruto da parceria entre Leo Gonçalves e Mário Alves Coutinho. Mais informações: http://salamalandro.zip.net/

4.2.05

Carnaval em Belo Horizonte?

Há um discurso comum que não existe carnaval em Belo Horizonte. Mas você sabia que se organizam ônibus em diversas cidades do Brasil para vir para a capital mineira no carnaval? Se você vai estar aqui em BH entre os dias 6 e 8 de fevereiro, dê uma conferida na programação do Carnaval Revolução 2005: http://carnaval.linefeed.org/ Ofinas, Palestras, Debates e Shows Ativismo, Software Livre, Faça-você-mesmo, Stencil, Rádio, DJs, Live Video e muito mais...

Revista Maguila nº4

O pessoal da BaseV colocou no ar a 4ª edição da Maguila revista de imagens disponível em PDF para download no endereço: www.basev.has.it (O arquivo é pesado: 9Mb, mas vale a pena, pois a revista é muito bonita)

2.2.05

Saiba mais sobre o FSM2005

A maior edição do Fórum Social Mundial realizada até aqui encerrou-se dia 31 de janeiro. No total, foram 155 mil participantes, sendo que desses, 35 mil ficaram no Acampamento Intercontinental da Juventude. Pessoas de 135 países estiveram envolvidas em 2.500 atividades, e 2.800 voluntários trabalharam na realização do encontro. Só na marcha de abertura do Fórum em Porto Alegre estiveram presentes mais de 200 mil pessoas... quer saber um pouco sobre no que isso deu? Acesse os links deste endereço: http://www.radiobras.gov.br/especiais/forumsocialmundial_2005/links%20FSM.php ..e não se iluda, vc nunca vai ficar sabendo sobre o que realmente acontece no Fórum Social através da Globo, Folha de São Paulo ou outro veículo da grande mídia, pois esses, só publicam o que é de interesse deles.

Gilberto Gil no debate "As Implicações Sociais das Revoluções Digitais"

Chego de mais um Fórum Social Mundial, e pego emprestado as palavras do Gil para compartilhar com vcs: "Tenho percorrido nos últimos dias os diversos territórios que se entrelaçam no Fórum Social Mundial. Participei de encontros e diálogos tão diversos quanto o público que ocupa as tendas, os armazéns, as praças e os cinemas de Porto Alegre. Estive (e ainda estou) atento a quase tudo e a quase todos. Com os olhos e os ouvidos abertos, empreendo aqui uma espécie de peregrinação. Trata-se de uma experiência intensa, repleta de trocas afetivas, culturais, políticas, enfim, trocas de todos os tipos, que se dão a cada encontro, a cada diálogo. Aprende-se e ensina-se muito no Fórum Social Mundial. Diverte-se, sobretudo. Há estímulos e referências para reflexões e vivências de várias ordens, muitas vezes contraditórias, muitas vezes paradoxais, mas sempre instigantes. Um desses paradoxos é a convivência cotidiana entre o mais arcaico discurso político, a mais bizantina forma e o mais bizantino conteúdo, a mais antiga e superada agenda, a mais antiga e superada atitude, e as formas contemporâneas, os conteúdos, as agendas e as atitudes mais sintonizadas com o nosso tempo. A convivência entre o analógico e o digital, entre a foice e o martelo e os fluxos virtuais. Há espaço e provavelmente sentido em tudo isso, talvez porque o impulso básico da mudança, da transformação e do progresso esteja, ou tenha estado, um dia, na gênese de todos os movimentos de contestação da ordem e de construção de novas ordens. O impulso fundamental de superação, de aventura e de peregrinação que se fez e se faz presente em cada passo adiante da humanidade. As pessoas e as organizações que constituem o Fórum Social Mundial têm, portanto, uma base comum, ainda que as falas, as visões, os métodos e as práticas sejam diferentes. Eis o que explica a convivência pacífica e estimulante entre agendas tão díspares, por exemplo, como a agenda deste encontro, sobre a revolução digital e as novas redes, e as agendas dos partidos marxistas tradicionais. Em meio a tantas vertentes, há que se fazer, ao longo da peregrinação, algumas escolhas. Embora tenha cruzado vários territórios e experimentado várias agendas, embora identifique em todas o generoso impulso comum que mencionei, confesso a vocês que a minha agenda, o meu território, o meu movimento, enfim, aquilo que me parece mais contemporâneo e desafiador, está aqui. Eis a minha escolha pessoal e intransferível. Entre o "anti" e o "pro", entre a reclamação e a ação, entre a negação e a compreensão, fico com o "pro", fico com a ação, fico com a tentativa positiva de entender as coisas em sua complexidade, para construir estratégias de transformação mais adequadas ao aqui e ao agora. Sou ministro, sou músico, mas sou, sobretudo, um hacker, em espírito e vontade. Todos aqui sabem que sou um defensor, e mais do que um defensor, um praticante, um usuário, um entusiasta, do software livre, dos instrumentos de realização de redes virtuais e remotas, dos programas de inclusão digital, da aceleração e da multiplicação de trocas e das formas mais intensas, mais radicais, mais inovadoras de exercício da liberdade de pensamento, de expressão e de criação. Seja o que for que as corporações pensam e sentem quando ganham dinheiro ou economizam dinheiro com o GNU-Linux, com as redes de computadores, com os cabos, as fibras e os transmissores, e com a aceleração das trocas de informações e o trabalho remoto, uma coisa é certa: a batalha do software livre, da Internet livre e das conexões livres vai muito além delas, de seus interesses. É a mais importante, e também a mais interessante, e a mais atual das batalhas políticas. Claro que há uma revolução francesa, ou várias revoluções francesas, a fazer no planeta, seja dentro dos países, seja no comércio internacional. Ainda nos defrontamos não apenas com discursos do Século 19, mas também com realidades do Século 19. Mas não podemos secundarizar o presente. E o futuro. Trata-se, eu dizia, da batalha mais importante travada hoje nos campos da tecnologia, da economia e da vida social. Não por acaso, ela está em profunda articulação com outra batalha vital, a da diversidade cultural, que tem nas novas mídias e redes planetárias um habitat de proteção, afirmação e desenvolvimento com vasto poder de multiplicação em termos de intensidade e quantidade. Este cenário pode significar uma mudança nas formas de produção e difusão da subjetividade humana capaz de transformar inclusive os conceitos de civilização e desenvolvimento que usamos atualmente. Pode haver impacto mais profundo, e mais libertário, do que este? Estou falando da construção de territórios amplos e perenes, e não apenas temporários, como este Fórum, de igualdade e pluralidade. O mais fascinante é que este movimento, esta marcha das multidões contemporâneas globais, um movimento que assume formas variadas, com bandeiras variadas, surgiu da própria sociedade, de indivíduos que se associam em progressão geométrica, através de redes próprias, e não das empresas, dos partidos, dos sindicatos, enfim, dos meios tradicionais de representação e de articulação. Isso implica uma mudança estrutural, não somente no conteúdo, mas na forma e no processo, que se reflete no que se diz, no que se propõe, e também em como se diz, como se conecta. O trabalho está mudando radicalmente, e também o modo como se pensa, como se cria, como se ama, como se troca e como se governa. E tudo isso tem ocorrido de maneira descentralizada e abrangente. Trata-se da resultante do trabalho individual e coletivo de gente com interesses, visões e bagagens culturais diferentes, que decidiu trabalhar, algumas vezes de graça, recriando o sentido da palavra trabalho, para que mais e mais pessoas, no mundo inteiro, tornem-se pilotos de seus próprios destinos e realizem seu potencial humano, seja no convívio, seja na produção, seja na criação. Já temos, aqui no Brasil, uma vasta experiência acumulada no campo do software livre, da inclusão digital e da constituição de territórios autônomos e articulados de reflexão, produção e difusão. Há milhares de projetos, protótipos, redes e até mesmo uma produção acadêmica significativa. Agora, esta ampla mobilização de inteligências e sensibilidades desemboca no próprio governo. Eis outro aspecto fascinante do que estamos vivenciando. O governo federal brasileiro, e também alguns governos locais, como os governos de duas cidades do estado do Rio de Janeiro, os governos de Nova Iguaçu e de Piraí, enfim, esses governos abraçaram a causa, transformando a cultura digital, as práticas digitais, as conexões digitais livres, em uma de suas políticas estratégicas. No MinC estamos desenvolvendo um laboratório de conhecimentos livres, coordenado por Cláudio Prado e articuladores. As próprias iniciativas da sociedade, do terceiro setor, encontram-se hoje em novo patamar, mais amadurecidas, mais consistentes. É com alegria, portanto, que devemos saudar as experiências de inclusão digital, de adoção do software livre e de mudança do conceito (e da gestão) da propriedade intelectual, assim como os debates sobre o impacto da revolução digital em todos os campos. Penso, por exemplo, na questão dos direitos conexos, com as novas formas de licenciamento e gestão de conteúdos, a exemplo do movimento Creative Commons, que abre perspectivas inteiramente novas para criadores e fruidores de arte e entretenimento, formas oxigenadas, não-corporativas, progressistas mesmo, em temas historicamente aprisionados pela ortodoxia analógica reacionária. O Brasil pode e deve aproveitar este contexto favorável, em que mais e mais pessoas despertam para os desafios que as novas mídias e as velhas injustiças nos colocam, em que o próprio governo incorpora o software livre e o que ele representa como prioridade, para empreender passos concretos no sentido da ampliação dos territórios de inclusão digital, de igualdade digital, de justiça digital. Não se trata, como eu disse, de um movimento ?anti?, mas de um movimento ?pro?, ou seja, a favor da valorização e da disseminação de uma nova cidadania global, da capacidade de autodeterminação das pessoas, de novas formas de interação e articulação, da liberdade real de produção e difusão da subjetividade, da busca do saber, da informação, do exercício da sensibilidade e da coletividade. E como estou valorizando o lado ?pro? do Fórum, quero propor a vocês a constituição imediata, a partir deste encontro, de uma convocação global pela liberdade digital da humanidade, complementar à convocação global pela erradicação da pobreza lançada por diversas ONGs neste Fórum e abraçada pelo presidente Lula. Sejamos corajosos e substantivos em relação a isso. Penso em um amplo movimento nacional e internacional para a disseminação do software livre, pelo barateamento do hardware, pela construção de redes e territórios autônomos de conexão entre pessoas e grupos, pela implantação de espaços públicos de acesso wi-fi à Internet, pela globalização do conhecimento e da arte, pela defesa da diversidade cultural e pela liberdade das trocas múltiplas. Um movimento, enfim, pela disseminação da ética hacker, que não se confunde com as ações dos crackers. Vocês sabem que há no planeta uma comunidade, uma cultura compartilhada, de programadores, pesquisadores, criadores e pensadores, cuja história remonta aos primeiros experimentos de minicomputadores, e que permitiu a criação da Internet e de várias experiências de mudança. Esta comunidade, esta cultura, não se restringe mais ao software. A postura hacker, uma postura humanista, que busca a construção da nova cidadania da sociedade da informação, esta postura está presente hoje na música, na mídia, nas ciências humanas, nos projetos sociais e nos governos, constituindo uma forma atual e transformadora de ver o mundo, de encarar os desafios do presente. Hackers criam, inovam, pesquisam, alargam e aprofundam o saber. Resolvem problemas e têm uma crença radical no compartilhamento de informações e experiências. Exercitam a liberdade e a ajuda mútua e voluntária. Nossa convocação global deve levar este espírito a todas as dimensões possíveis da vida humana, em especial às ações de inclusão digital e geração de renda, emprego e cidadania. Eu, Gilberto Gil, cidadão brasileiro e cidadão do mundo, ministro da cultura do governo brasileiro, músico, trabalho no ministério e na música, em todos os fazeres e pensares que formam a minha existência, sob a inspiração da ética hacker, preocupado com as questões que o nosso mundo e o nosso tempo nos colocam, e seus paradoxos, suas contradições, suas virtudes e suas possibilidades. Em uma de minhas primeiras intervenções públicas como ministro, disse que o Ministério da Cultura passaria a ser o espaço da experimentação, o território da criatividade e da invenção, o palco das linguagens inovadoras e das ações transformadoras, um signo vivo de aventura e ousadia. Assim tem sido. Assim será. Como este debate. Como este Fórum. Como a minha peregrinação aqui em Porto Alegre. Muito obrigado". Gilberto Gil, PORTO ALEGRE, 29 DE JANEIRO DE 2005

22.1.05

Programação do Fórum Social Mundial 2005

Está no ar a programação do Fórum Social Mundial. Veja no endereço: www.forumsocialmundial.org.br